Londres, 20 de agosto
de 1890
Não consigo dormir. Os
acontecimentos do dia de hoje parecem arranhar seu caminho dentro da minha
cabeça, em minha memória, para fora. Espero que escrevendo esse relato eu
exporte esses pensamentos que crescem como erva daninha e encontre alguma
tranquilidade para poder finalmente descansar. Tenho esperança de que preencher
essas páginas em branco funcione como ritual praticado por um exorcista.
Provavelmente se assemelha mais ao comportamento supersticioso de uma criança
que age com manias e regras que só ela entende, relativo a um mundo que somente
ela enxerga. Se me trouxer paz, tudo bem.
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| Estação de trem de Londres |
Minha viagem de
negócios foi muito bem sucedida, tanto pela parte da venda do Sr. William
Dreyfuss, fruto de extração da mina de carvão mais próspera da Inglaterra,
quiçá do mundo, quanto da minha própria mercadoria. Peguei o trem na estação
Highspring a locomotiva das 8h, atrasada como sempre. Mas a essa hora da manhã,
depois de tomar um café na estação, eu estava com o humor despreocupado de
quem realizou um trabalho bem feito. Ai de mim! Inocente, naquele momento, eu
não sabia que a Londres para onde retornava não era a encantadora cidade de
onde havia partido uma semana antes, mas sim uma metrópole sombria e repleta de
horrores. Mas estou me adiantando.